quinta-feira, 24 de maio de 2012

CAPACITADOS PARA SERVIR



Chegamos hoje ao término da nossa reflexão dos temas da novena de Pentecostes, queremos neste último tema dizer que em relação aos dons para o serviço de ser testemunha de Cristo e o servir, nada vos falta, pois aquele que tem o Espírito Santo tem todos os dons necessários para servir a Cristo, sua Igreja, e aos irmãos em comunidade.
Ao longo destas semanas vimos fazendo uma experiência do Amor Divino, a cada dia nos foi revelado uma ação forte e presente do Espírito Santo junto a nós, o Divino Paráclito, hoje presente em nossas vidas, dentro de nós, que antes era concedido àqueles que eram chamados a ser operários da messe; os antigos profetas, juízes e reis, recebiam o Espírito Santo para executarem sua missão, como colaboradores para conduzir o povo de predileção do Senhor à terra prometida, e mantê-los em comunhão com Deus, porém terminado a missão o Espírito do Senhor se retirava deles.
Hoje somos chamados a sermos discípulos missionários, (Conf. Doc. de Aparecida) todo batizado tem esta missão, Jesus para a sua missão após o seu batismo veio sobre Ele o Espírito, e uma voz do Senhor disse: "Eis meu filho amado ao qual ponho toda a minha afeição", (Mt 3, 17), é para que sejamos suas testemunhas que o Espírito Santo nos é concedido. 
O batismo nos torna membros do corpo místico de Cristo, mas é o Espírito Santo que nos capacita para a missão, por isso que Jesus ao entrar no Cenáculo sopra sobre os discípulos o Espírito, os envia para a missão, mas também lhes dá autoridade para em seu nome, realizar as mesmas obras que Ele realizava, quem pode perdoar pecados se não Deus? ( MC 2, 7) Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. (Jo 20, 22-23) e deixa um mandato: Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Mc 16, 15), e confirma este mandato através dos sinais, pois é o Espírito Santo que confirma os sinais descritos por Jesus". Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados".
 Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
Papa Paulo VI nos diz em sua enc. Evangelli Nuntiandi, nº 75 A evangelização nunca será possível sem a ação do Espírito Santo... As técnicas da evangelização são boas, mas mesmo as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo... o Espírito Santo é o agente principal da evangelização...
O Espírito santo é quem nos concede os dons necessários para esta evangelização, (conf. I Cor, 7-11). A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito;  a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz, logo se tens o Espírito Santo, tens também os dons de Deus, por quanto Deus veio fazer em vós sua morada, sois templo do Espírito Santo, I Cor 6, 19, ora se reside em vós o Espírito Santo que é o doador de todos os dons como não os ter? 
Cabe a nós nos dias de hoje tornar Cristo mais conhecido e amado e ninguém pode conhecer a Cristo se o Espírito não lhe revelar, mas como O invocarão aqueles que não conheceram. conf Rom10, 14.
Vivemos num tempo privilegiado, pois temos a presença permanente do Espírito Santo junto a nós, dentro de nós, não nos deixa mais só, porém é preciso invocá-lo sempre, desejá-lo a todo momento de nossas vidas, e se queres servir a Deus e acha que não tem a sabedoria necessária, que tal invocá-lo agora, talvez hoje pela 1ª vez, uma vez mais quem sabe, é só pedir e Ele virá.
Oremos:
-Graças, Senhor, pelo teu Pentecostes, que se renova mais e mais agora. Sabemos 
que é chegada a tua hora, e que dispensas os teus dons em profusão Dá-nos também um Pentecostes que nos abale, que nos sacuda... Um rápido tufão que da nossa pequenez nos desinstale; que leve, uivando, a bagatela, o lixo odioso, e ponha à prova das nossas tendas a firmeza. Dá-nos um Pentecostes que nos derrube ao chão, como um vento conquistador, impetuoso; mas que saneie o charco e corte a estrada que nos conduza à segurança e à certeza. Dá-nos um novo Pentecostes, vendaval que arrombe portas e janelas: um sinal para sairmos de nós, e aos outros dar entrada; que sobre o mundo nos dê outro cenário sem os espelhos do nosso santuário que só nos refletem a nós: a nós e o nada!
Dá-nos um novo Pentecostes, de abrasar, para a nova de Jesus anunciar aos pequeninos, aos que choram e têm fome, para que cresçam e riam, em teu nome! Dá nova aos grandes, cuja vida é um não.
Sejam todos pequenos, em teu nome, e chorem, para obter o teu perdão.
Dá-nos um novo Pentecostes, fogo e chama, que queime em nós o erro e a mesquinhez, rasgando a selva e secando a lama... fazendo ver com nova limpidez visões de apocalipse e de verdade: tua verdade, serena, a uma só: a vida que é nossa, na Trindade... e, além do pó, um encontro já marcado: a eternidade!
Dá-nos um novo Pentecostes, que, além disto, purifique o ouro em nós, até brilhar e refletir no mundo Jesus Cristo. Dá-nos um novo Pentecostes, que faça ardente tocha da tua igreja. Firmados nessa rocha o mal não poderá nos arrastar.
Renova-a dia-a-dia, para que mais e mais dê glória a Deus, para que mais e mais sejamos teus, até o renascer na Parusia! ( Oração final da novena de pentecoste RCC BRASIL)

terça-feira, 1 de maio de 2012

PLANEJAMENTO DE VIDA PESSOAL E CULTURA DE PENTECOSTES


O Beato João Paulo II, dirigindo-se aos membros da Renovação Carismática na Itália, a 14 de março de 2002, deu-nos um mandato, que se tornou célebre no nosso meio carismático, mas que precisa ser cada vez mais refletido e aprofundado: No nosso tempo, ávido de esperança, fazei com que o Espírito Santo seja conhecido e amado. Assim ajudareis a fazer que tome forma aquela ‘cultura do Pentecostes’, a única que pode fecundar a civilização do amor e da convivência entre os povos.

A tomada de consciência desse mandato é algo fundamental para nós, RCC. São palavras determinantes para a vida daqueles que estão inseridos em nosso Movimento. Sabemos o quanto era cara para João Paulo II a expressão “Civilização do Amor”, tão usada durante o seu pontificado. Mas o que mais nos intriga é a relação que o papa estabelece entre Civilização do Amor e Cultura de Pentecostes! Ele chega a afirmar que a Cultura de Pentecostes é a única - portanto não há outra - capaz de fecundar a Civilização do Amor. Sendo assim, a contribuição da RCC é fazer com que o Espírito Santo seja conhecido e amado. Esse é o nosso papel, a ordem que recebemos da Igreja. É o que temos feito desde o começo e continuaremos a realizar.

No entanto, ao falarmos de cultura, devemos pensar em costumes sendo estabelecidos, atitudes e comportamentos afirmados, nas formas de organização de um povo, numa identidade própria, em territórios determinados e períodos específicos. Em outras palavras, cultura é a maneira de pensar e agir de um povo. Dessa forma, abre-se para nós a necessidade de reconhecermos que a experiência do Espírito Santo assume uma dimensão espiritual e social. Espiritual, porque transforma a vida daquele que experimenta a efusão do Espírito. Social, porque esse sujeito renovado pelo Espírito se deixa possuir e conduzir por Ele, a fim de impactar o mundo à sua volta com seus comportamentos e atitudes.

Ao iniciarmos a caminhada de um novo ano, cabe fazermos uma reflexão de como tem sido a nossa prática cristã na Igreja e na sociedade. 
Estou me deixando renovar pelo Espírito Santo a ponto de minha vida estar contribuindo para o incremento de uma nova cultura? 
Minha vida moral condiz com o homem novo? 
Como está a vida comunitária nos nossos grupos e comunidades? 
Estamos dando um testemunho atraente de fraternidade? 
E como vai a nossa comunhão com outras expressões eclesiais? 
No seio familiar, nossos comportamentos são de homens e mulheres renovados pelo Espírito? 
Os consagrados e sacerdotes se questionem: a experiência de efusão do Espírito está me permitindo viver de maneira nova meu ministério, vocação e a dar um testemunho de vida alegre e de total dedicação à Igreja?

Com base naquilo que constatarmos, façamos o nosso planejamento pessoal, reconhecendo virtudes, trabalhando fraquezas, em vista de contribuirmos melhor para o estabelecimento de uma nova cultura. Pois a organização da nossa vida pessoal é algo fundamental para que essa Cultura se expanda, já que o Espírito Santo é um Espírito de “ordem” e não de confusão. E também porque é a partir de nossas realidades humanas que essa Cultura vai se estabelecer, e não de outra forma. Planejar a vida de oração, os estudos, o serviço apostólico, a vida e convivência familiar, profissional, social, e o lazer é demonstração de responsabilidade com a nossa vida e com missão que o Senhor nos confiou.

Sugerimos que, de acordo com cada assunto analisado, escrevamos um pequeno plano com os seguintes itens:

1) Onde quero chegar/ ou como quero estar? (Sonho)
2) Como estou em relação a isso? (Realidade)
3) Quais passos vou dar para chegar onde quero? (Passos)

Depois de preenchidos, tais pontos devem ser constantemente avaliados para que seja constatado em que aspectos houve avanços ou regressões.
Que ao fazermos o nosso planejamento pessoal de vida, coloquemos toda a nossa diligência e empenho a fim de que a Civilização do Amor seja uma realidade em nossos dias!

Fernando dos Santos Gomes
Coord. Estadual do Ministério Jovem - SP
Grupo de Oração Javé Chammá
  
Fonte: RCCBrasil


quarta-feira, 25 de abril de 2012

História e Vida
Elena Guerra nasceu em Lucca (Itália), no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedica à meditação da Palavra de Deus e ao estudo dos Padres da Igreja, o que determina seu orientamento da vida interior e de seu apostolado; primeiro na Associação das Amigas Espirituais, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade em seu sentido cristão, e depois nas Filhas de Maria. Em Abril de 1870, Elena participa de uma peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita às Catacumbas dos Mártires confirmam nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril, assiste na Basílica de São Pedro a terceira sessão conciliar do Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.
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Beata Elena Guerra: Apóstola do Espírito Santo e Precursora dos Movimentos Carismáticos do Século XX!
Pe. Eduardo Braga (Dudu)
Toda a história da salvação está marcada pela presença viva e operante do Deus fiel que é Amor (Cf. I Jo 4,16) e pelo Espírito derramado em nossos corações (Cf. Rm 5,5). Também a nossa vida cristã está cheia da presença de Cristo e do Espírito Santo!

Santo Irineu dizia que onde está a Igreja está o Espírito de Deus e todas as graças. E foi justamente nos momentos mais difíceis da história da Igreja que o Espírito Santo utilizou concretamente homens e mulheres para que estes pudessem servir de fermentos de renovação diante dos desafios e crises. É neste contexto profético que podemos falar de Elena Guerra, a “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”.

Elena nasceu em Lucca, na Itália, no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedicou a meditar a Palavra de Deus e a estudar os escritos Padres da Igreja, o que determinaria seu discernimento na vida espiritual e no seu apostolado, primeiro na “Associação das Amigas Espirituais”, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade cristã, e depois nas “Filhas de Maria”.

Em Abril de 1870, Elena vive um momento determinante em sua vida. Participa de uma Peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita as Catacumbas dos Mártires confirmou nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril assiste, na Basílica de São Pedro, a terceira sessão do Concílio Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.

No ano de 1871, depois de uma grande noite escura seguida de graças místicas particulares, Elena com um grupo de Amigas Espirituais e Filhas de Maria, dá início a uma nova experiência de vida religiosa comunitária, que em 1882 culminará na fundação da “Congregação das Irmãs de Santa Zita”, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude. É neste período que Santa Gemma Galgani se tornará “sua aluna dileta”.

Em 1886, Elena sente o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a Devoção ao Espírito Santo na Igreja. Para isto, escreve secretamente muitas vezes ao Papa Leão para exortá-lo a convidar “os cristãos modernos” a redescobrirem a vida segundo o Espírito; e o Papa, amavelmente, endereça a Igreja alguns documentos que são como que uma introdução à vida segundo o Espírito e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: a breve “Provida Matris Charitate” de 1895, com o qual pedia que fosse celebrada a Novena de Pentecostes em toda Igreja; a “Divinum Illud Munus” em 1897, primeira Encíclica dedicada ao Espírito Santo na história da Igreja, e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo” de 1902, pedindo que Bispos e Sacerdotes pregassem sobre o Espírito Santo e recordassem da obrigatoriedade da Novena do Espírito Santo.

Em Outubro de 1897, Elena é recebida em audiência por Leão XIII, que a encoraja a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autoriza também a sua Congregação a mudar de nome para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: as Oblatas do Espírito Santo!

Para Elena a exortação do Papa é uma ordem e se dedica ainda com maior empenho a causa do Espírito Santo, aprofundando assim, para si e para os outros, o verdadeiro sentido do “retorno ao Espírito Santo”. Será este o mandato da sua Congregação ao mundo!

Elena, em suas meditações com a Palavra de Deus, é profundamente impressionada e comovida por tudo o que acontece no Cenáculo histórico da Igreja Nascente: ali, Jesus se oferece como vítima a Deus para a salvação dos homens; ali, institui o Sacramento de Amor, a Eucaristia; ali, aparece aos seus depois da ressurreição e ali, enfim, manda de junto do Pai o Espírito Santo sobre a Igreja Nascente.

A Beata entende que a Igreja está endereçada a realizar os mistérios do Cenáculo, mistérios permanentes, e, portanto, o Mistério Pascal: a Igreja é por isto, prolongamento do Cenáculo e analogamente, é ela mesma como um Cenáculo Espiritual Permanente.

É neste Cenáculo do Mistério Pascal, no qual o Senhor Ressuscitado reúne a comunidade sacerdotal real e profética, que também nós e cada fiel em particular, fomos inseridos pelo Espírito mediante o Batismo e a Crisma e capacitados a participar da Eucaristia, que é uma assembléia de confirmados, e portanto, semelhantes a primeira comunidade do Cenáculo depois da descida do Espírito Santo.

È nesta prospectiva que Elena Guerra concebe e inicia o “Cenáculo Universal” como movimento de oração ao Espírito Santo, com uma estrutura muito similar aos nossos “Grupos de Oração”.

Elena morreu no dia 11 de Abril de 1914, Sábado Santo, com o grande desejo no coração de ver “os cristãos modernos” tomando consciência da presença e da ação do Espírito Santo em suas vidas, condição indispensável para a verdadeira “renovação da face da terra”.

Faltando poucos dias para a convocação do Concílio Vaticano II, o verdadeiro Pentecostes dos nossos tempos, o Papa João XXIII, eleva Elena Guerra a honra dos altares em 26 de Abril de 1959, fazendo-a a primeira Beata do seu Pontificado, quando a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”. Naquele dia, em sua homilia, o Papa afirmou: “A mensagem de Elena Guerra é sempre atual. Todos sentimos a necessidade de uma contínua Efusão do Espírito Santo, como a de um Novo Pentecostes, que renove a Terra”.

Nenhum outro santo deu tanto, orou tanto e sofreu tanto pela causa do Espírito Santo como Elena Guerra. Como RCC precisamos conhecê-la mais! Ela nos exorta: “Outrora, Jesus manifestou seu Sagrado Coração, agora quer manifestar o seu Espírito!”. Oremos como ela, para que no nosso tempo, o Espírito Santo seja “mais conhecido, amado e invocado”.

Beata Elena Guerra, Apóstola do Espírito Santo, Roga por nós e para que o Novo Pentecostes renove a Igreja, nossos corações e o mundo! Este artigo foi extraído da Revista Renovação. Ed. 50.

http://harmoniacelestial.wordpress.com/2009/01/05/beata-elena-guerra-apostola-do-espirito-santo-e-precursora-dos-movimentos-carismaticos-do-seculo-xx/

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Feliz Páscoa!

Entenda o significado do beijo na cruz na Sexta-feira Santa

Bento XVI durante adoração à Santa Cruz, no Vaticano

Em todo o ano, existe somente um dia em que não se celebra a Santa Missa: a Sexta-Feira Santa. Ao invés da Missa temos uma celebração que se chama Funções da Sexta-feira da Paixão, que tem origem em uma tradição muito antiga da Igreja que já ocorria nos primeiros séculos, especialmente depois da inauguração da Basílica do Santo Sepulcro e do reencontro da Santa Cruz por parte de Santa Helena (ano 335 d.C.). 

Esta celebração é dividida em três partes: a primeira é a leitura da Sagrada Escritura e a oração universal feita por todas as pessoas de todos os tempos; a segunda é a adoração da Santa Cruz e a terceira é a Comunhão Eucarística, juntas formam o memorial da Paixão e Morte de Nosso Senhor. Memorial não é apenas relembrar ou fazer memória dos fatos, é realmente celebrar agora, buscando fazer presente, atual, tudo aquilo que Deus realizou em outros tempos. Mergulhamos no tempo para nos encontrarmos com a graça de Deus no momento que operou a salvação e, ao retornarmos deste mergulho, a trazemos em nós.

Os cristãos peregrinos dos primeiros séculos a Jerusalém nos descrevem, através de seus diários que, em um certo momento desta celebração, a relíquia da Santa Cruz era exposta para adoração diante do Santo Sepulcro. Os cristãos, um a um, passavam diante dela reverenciando e beijando-a. Este momento é chamado de Adoração à Santa Cruz, que significa adorar a Jesus que foi pregado na cruz através do toque concreto que faziam naquele madeiro onde Jesus foi estendido e que foi banhado com seu sangue.

Em nosso mundo de hoje, falar da Adoração à Santa Cruz pode gerar confusão de significado, mas o que nós fazemos é venerar a Cruz e, enquanto a veneramos, temos nosso coração e nossa mente que ultrapassa aquele madeiro, ultrapassa o crucifixo, ultrapassa mesmo o local onde estamos, até encontrar-se com Nosso Senhor pregado naquela cruz, dando a vida para nos salvar.Quando beijamos a cruz, não a beijamos por si mesma, a beijamos como quem beija o próprio rosto de Jesus, é a gratidão por tudo que Nosso Senhor realizou através da cruz. O mesmo gesto o padre realiza no início de cada Missa ao beijar o Altar. É um beijo que não pára ali, é beijar a face de Jesus.Por isso, não se adora o objeto. O objeto é um símbolo, ao reverenciá-lo mergulhamos em seu significado mais profundo, o fato que foi através da Cruz que fomos salvos.

Nós cristãos temos a consciência que Jesus não é apenas um personagem da história ou alguém enclausurado no passado acessível através da história somente. "Jesus está vivo!" Era o que gritava Pedro na manhã de Pentecostes e esse era o primeiro anúncio da Igreja. Jesus está vivo e atuante em nosso meio, a morte não O prendeu. A alegria de sabermos que, para além da dolorosa e pesada cruz colocada sobre os ombros de Jesus, arrastada por Ele em Jerusalém, na qual foi crucificado, que se torna o símbolo de sua presença e do amor de Deus, existe Vida, existe Ressurreição. Nossa vida pode se confundir com a cruz de Jesus em muitos momentos, mas diante dela temos a certeza que não estamos sós, que Jesus caminha conosco em nossa via sacra pessoal e, para além da dor, existe a salvação.

Ao beijar a Santa Cruz, podemos ter a plena certeza: Jesus não é simplesmente um mestre de como viver bem esta vida, como muitos se propõem, mas o Deus vivo e operante em nosso meio.

Padre Antônio Xavier
Comunidade Canção Nova, Terra Santa 

domingo, 1 de abril de 2012

PROGRAMAÇÃO SEMANA SANTA - Paróquia Cristo Rei - Gravataí, RS

01-04-2012 –   DOMINGO DE RAMOS
08:30 – Benção dos Ramos e Procissão
09:00 – Missa
19:00 – Missa
02-04-2012 –   SEGUNDA-FEIRA SANTA
09:00 às 11:00 - Confissões
15:00 às 17:00 - Confissões
19:00 – Missa
03-04-2012 –   TERÇA-FEIRA SANTA
09:00 às 11:00 - Confissões
15:00 às 17:00 - Confissões
19:00 – Missa
04-04-2012 –   QUARTA-FEIRA SANTA
16:00 – Missa + Retiro Espiritual
05-04-2012 –   QUINTA-FEIRA SANTA
19:00 – Missa (Instituição da Eucaristia + Lava-Pés + Adoração conforme escala (à partir das 23:00 a adoração é de responsabilidade da Renovação Carismática e Grupo de Jovens)
06-04-2012 –   SEXTA-FEIRA SANTA
08:00 às 15:00 – Adoração, conforme escala
15:00 – Solene celebração da Paixão, logo em seguida Via Sacra no Salão de Esportes encenada pelo Grupo de Jovens
07-04-2012 –   SÁBADO DO ALELUIA
19:00 – Missa do Aleluia (trazer vela), logo em seguida no Salão de Esportes encenação da Ressurreição pelo Grupo de Jovens
08-04-2012 –   DOMINGO - PÁSCOA
09: 00 – Missa
19: 00 – Missa – animada pela Renovação Carismática

Semana Santa

VIVA A SEMANA SANTA COM INTENSIDADE

A Semana Santa é o ponto alto de todas as celebrações que realizamos na Igreja.
Contemplamos a paixão, morte e ressurreição do Senhor, Jesus Cristo.
Infelizmente, o afastamento da religião tem levado muitas pessoas, contaminadas por um secularismo, isto é, uma indiferença com relação a fé, a viver esses dias como se fossem nada mais do que um simples "feriadão".
Não são poucos os católicos que também negligenciam o verdadeiro valor da Semana Santa, esquecem que é o momento de revigorar a fé e deixar-se envolver pelo grande amor de Deus manifestado em Jesus, nosso Senhor.
Foi por nós que Deus permitiu que seu filho sofresse o mais cruel de todos os sofrimentos, a morte de cruz, para desse modo mostrar o quanto nos ama.
A cruz, mais do que sinal de suplício, é na verdade a maior prova de amor de Deus pela humanidade.
Infelizmente, poucos ainda estão convencidos do amor do Pai, amor incondicional e irrestrito.
Só o amor é capaz de transfigurar o coração do homem, só a descoberta verdadeira de Deus, através de uma experiência viva de amor, nos faz descobrir o verdadeiro sentido de nossa existência.
Como chegar a essa experiência, senão por meio de uma decisão firme de renúncia a tudo que obscurece a imagem de Deus em nós?
Fomos criados para acolher e viver o amor de Deus. Esse é o único caminho que o homem moderno precisa redescobrir. Não permitir que uma cultura pretensiosamente autossuficiente, onde se pretende construir a vida ignorando ou excluindo Deus, se imponha de forma ditatorial.
O Santo Padre pediu-nos para não cedermos à "ditadura do relativismo", em que nenhuma verdade é definitiva.
Procuremos construir nossas vidas e orientá-la sempre segundo os critérios e as verdades do Evangelho. Digamos "não", portanto, às opiniões veiculadas pelas idéias mostradas particularmente pelos meios de comunicação que, ao invés de formar, deformam a consciência moral, sobretudo dos jovens e adolescentes.
A Semana Santa é o momento propício para nós, cristãos, discípulos e missionários, testemunharmos a Pessoa de Jesus Cristo.
Ele que veio para dar testemunho da verdade. A verdade é Deus, Deus é amor e consequentemente é impossível separar amor e verdade. Só a verdade é capaz de nos libertar verdadeiramente.
As celebrações da Semana Santa nos evangelizam para escolhermos o amor e a verdade. Nos faz entender melhor o sentido do ser e do agir cristão, cuja referência é o próprio Senhor.
A Paixão, a crucificação e a morte do Senhor são os caminhos da vitória, caminhos imprescidíveis, necessários para se chegar à Ressurreição.
A cruz é dizer "não" ao pecado, como fez Jesus. Ele preferiu morrer vitimado pelo pecado do que ceder às "vantagens" do pecado. A cruz é um "não" ao mal e um "sim" ao amor.
Não é fácil dizer "sim" à vontade de Deus e "não" ao pecado. Exige renúncia e sacrifício. Mas só imitando o nosso Senhor, percorrendo o nosso calvário cotidiano, descobriremos o valor da nossa existência, quão grande e maravilhosa é a vida.
Felizes os que constroem as suas vidas sobre a verdadeira rocha.
Que a Semana Santa seja para você e sua família o momento propício de tomada de decisão, cada vez mais firme Àquele que é o rosto de Deus entre nós. Viva a Semana Santa com intensidade de espírito.
Esteja presente a todas as celebrações. Reviva, celebrando o principal mistério de nossa salvação.
Boa celebração!

(Padre Luiz Fernando - publicado no jornal da paróquia Santo Sepulcro - Madureira/RJ)

sábado, 17 de março de 2012

PALAVRA DO COORDENADOR: 16-mar-2012

Que alegria termos neste mês de Março em nosso Grupo de Oração a novena de Pentecontes, que nos proporciona momentos de intensa intimidade com o Espirito Santo, este Deus que modificou e frutificou a Igreja Católica no século passado e início deste, a Renovação Carismática Católica é um destes frutos. Eu sou um carismático relativamente novo, ingressei a cerca de 3 anos atrás no movimento, e escuto de irmãos com maior experiência relatos de como o uso dos carismas eram intensos quando incendiados por este Espírito Santo, gerando uma cultura de Pentecostes que é a única que pode fecundar a civilização do amor, como dizia nosso querido papa Beato João Paulo II. Abracemos esta novena com todo nosso empenho e dedicação, Jesus espera que façamos apenas a nossa parte, sendo fiéis, pastoreando as ovelhas perdidas e tendo fé. Não saia da sua casa antes de convidar o Espírito Santo para ir junto com você. 

Paz e Bem

Francisco Gusso

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Quaresma 2012

Tempo da Quaresma 2012

Quaresma2

A Igreja Católica inicia na próxima quarta-feira, dia 22 de fevereiro, o Tempo da Quaresma, período de preparação para a festa da Páscoa que, com a morte e ressurreição de Jesus, tornou-se o grande referencial da nossa fé, o dia da vitória da Vida sobre a morte. A Quarta-feira de Cinzas marca, também, no Brasil, o início da Campanha da Fraternidade.

1. A Quaresma é o período de 40 dias que começa na quarta-feira de Cinzas e termina na véspera do Domingo de Ramos, este ano no dia 1º de abril, quando tem início a Semana Santa. Nesses 40 dias, somos convidados a reviver a experiência dos 40 anos de travessia do deserto pelo povo de Israel e os 40 dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua Missão. Somos convidados a três atitudes que são os pilares da vida cristã: a Oração, relação do homem com Deus; o Jejum, relação do homem consigo mesmo; e a Caridade, relação do homem com o próximo. É um tempo rico de reflexão sobre a nossa vida, buscando valorizar o que temos feito de bom e dar um novo caminho ao que temos feito de ruim ou deixado de fazer. É o convite à conversão.

2. O nosso calendário civil é definido a partir da Festa da Páscoa, por isso a Quaresma varia de ano para ano. A festa da Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do início do outono. Neste ano de 2012 o outono começa no dia 21 de março e a primeira lua cheia acontece no dia 06 de abril. Assim, a Festa da Páscoa acontece no domingo seguinte, dia 08 de abril. A partir desta data são definidas a Semana Santa, a Quarta-feira de Cinzas e, também, o Carnaval. A festa da Páscoa era primitivamente um ritual realizado por pastores que, para proteger as suas famílias e seus rebanhos dos espíritos maus, matavam um cordeiro e tingiam a entrada das tendas com o seu sangue. Por volta de 1250 anos antes de Cristo, esse ritual adquiriu um novo sentido, com a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. Depois, com a ressurreição de Jesus, a Páscoa se tornou a principal festa dos cristãos, lembrando que Deus liberta seu povo através de Jesus Cristo, o novo cordeiro pascal.

3. Na Quarta-feira de Cinzas, nas missas celebradas nas Paróquias e Comunidades, se benzem e impõem as cinzas feitas de ramos de oliveiras ou palmeiras, bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. Em procissão, os cristãos e cristãs recebem na fronte um pouco dessas cinzas para expressar o desejo e votos de assumir o processo de conversão que se iniciou no Batismo, por uma vida de oração, esmola e jejum. As cinzas nos lembram que todo orgulho, prepotência, bens materiais não são nada mais do que cinzas após a morte. Conscientes de nossa pequenez, somos chamados a ser agentes de transformação de uma sociedade injusta, desigual e violenta, através de obras, ações, do amor que entrega a própria vida pela vida do outro.

4. A Quarta-feira de Cinzas abre a Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB desde 1964, destacando uma situação da realidade social para a reflexão das comunidades e de toda a sociedade. O tema deste ano é Fraternidade e Saúde Pública e o lema Que a saúde se difunda sobre a terra, um chamado à reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e na mobilização pela melhoria no sistema público de saúde.

Em todas as Paróquias e Comunidades da nossa região haverá Missa na Quarta-feira de Cinzas. Clique aqui para acessar a Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012.

Fonte: http://www.celebrando.org.br/formacao/tempo-da-quaresma-2012/

Mensagem do Papa para a Quaresma 2012

Tempo da Quaresma2

“Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras” (Heb 10, 24)


Irmãos e irmãs!

A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.

Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.
O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Novembro de 2011

BENEDICTUS PP. XVI

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